FOR US THERES IS ONLY ONE SEASON. THE SEASON OF SORROW



Oscar Wilde


sábado, 29 de novembro de 2008



Que palavras traçam as lágrimas passantes nos golpes das garras?

que águas regam os verbos que despertam a terra?

que escuridão é esta que me trespassa?



Tu sabes ................................................................................. Não sei!


Tu sabes ................................................................................. Não sei!


Não sabes ............................................................................... Não sei!
.
.
.

Que sei?!





segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Os anjos copiavam os homens;
os homens copiavam os anjos;
ambos copiavam a inocência;
a inocência copiava as feras;
as feras devoravam os homens;
os anjos devoravam as feras;
a inocência vestiu-se de roxo
pelo luto das futuras eras.


Nátalia Correia




Nada restou. senão a profilaxia social. e um perfume.
espreita esse perigo e esse impulso. de seguir esse sândalo. para saber o que é.
é o mesmo que querer conhecer quem escreve. é fugir das brigadas puritanas
é fazer prisão do desejo para fazer esperar a loba no lupanar.

tudo no cúmulo do não sentir

do não querer

do velar






quinta-feira, 20 de novembro de 2008




Visto-me no sentido da noite. do desejo que repousa na memória.
crivaste em papel a minha existência. de um parto feito pela cabeça. mas da tábua rasa não nasce nada.




Em nada se estende o segmento de recta. do vocabulário de sempre. que faz máscara às gónadas inférteis.
torna-se tarde. tardia hora para a memória desejante.


Dispo-me dessa reminiscência para repousar na noite… em rios d'Alma







Eleni Karaindrou - By The Sea - Eleni Karaindrou

terça-feira, 18 de novembro de 2008

À Mié

"Aos cinquenta anos dei por mim a fumar ao espelho(…) no espelho os olhos só se vêem reflectidos noutras coisas…
Mas fumar ao espelho não é só ver para trás olhando de frente. É também um modo-josé de futurar, para lá do rosto que o repete e que fumega.

(…)nisto de alguém se interrogar ao espelho, olhos nos olhos, é consoante. Tem muitos ângulos - e tu estás aí, que não me deixas mentir. Vários ângulos. Há quem procure, fazer um discurso de silêncio capaz de estilhaçar o vidro e há quem espere receber, por reflexo da própria imagem, algum calor animal que desconhece. Seja como for, o que dói, e assusta, e é triste e desastradamente cómico neste exercício, é o pleonasmo de si mesma em que a pessoa se transforma. Repete-se. Se bem que com feroz independência (todo o seu esforço é esse) repete-se em imagens controversas que a possam explicar.


Quanto à solidão de há pouco não há pleonasmo nem desdobramento que a salve. Solitário, não vamos mais longe, é este escritor que aqui está quando se entrega ao acto de escrever.

[Mas hoje…]

Somos três. (Sempre fomos, tu é que não reparaste: dois que se olham e um terceiro que os escreve, olhando-se).”

Cardoso Pires por Cardoso Pires, entrev. de Artur Portela, 1ª edição,
Publicações D. Quixote, 1991, 124 p., pp. 89-94


Repousante estado. Repousante abraço.
no imenso mar. no imenso ser
entrega adentro
olhares pousantes
nas não palavras
que se fazem agradecer
no nada de mim
do muito. do sempre
tão irónica como bela
a estória que en.laço






segunda-feira, 17 de novembro de 2008


















A minha morada é um castelo. que o tempo estoicamente me ensinou. a pedir senha à entrada. ergue-se em paredes. que são ataviadas pelas cicatrizes. que tenazmente vincam o real que é o passado.








No interior guarda-se esse jardim. jardim de inverno. de retiro. onde descanso e me recorro às engramas de outras batalhas.
Hoje não sei o que sou. perco-me nas ideias que não tenho e nos gestos que não são. pelos músculos tolhidos.






Divido-me entre o sexo e o teológico. do mais adentro que encerra o ser. e perceber-te nesses passos de sempre. nas palavras de sempre. nos gestos mesmos. na indigência de nova água e novo ar. na vampiristica melodia.




E resto-me entre muros e muralhas. na dança com a morte. num passo de exorcismo. na travessia da ponte. ao som de campanários











sexta-feira, 14 de novembro de 2008









palavras de um anónimo __________





às vezes o frio. tolda a razão e os sentimentos.



às vezes. foge-se para fugir de nós mesmos











fingimos que vamos...



mas deixamos as mãos e a alma

















deixamo-nos

porque não conseguimos levar-nos

Obrigada.


pelos laços que me revestes

inverno.me na quebra da espiral
















quarta-feira, 12 de novembro de 2008




...... Hoje tudo se redime aos teus pés. na máxima glória atingida.
...... até a volta se curva e jura que tudo te é dado.
...... e a insatisfação continua.
................ é de simum essa sinalagma que te aprisiona.
................ é de cama de gente que se estende e que dentro ecoa
................ é órfão esse corpo que se arrasta e da tormenta se alimenta



................................................................................... e o que procura. e o que falta. e o que basta.




....... a página da vida se abre e se escreve andantemente à da morte
....... mais fácil é pensar que se está a morrer. do que ver.

..................... que a morte se instala já em ventre findo
..................... que o rosto se tapa a quando estremece a pele

..................... que a genialidade da idade não traz o sentir da carne


.................................................................................................................. mas há. mas tem. mas fica.












.......................................
broto. fruto

....................................... na última hipótese da volta
....................................... desacresce as fissuras. as rugas.








se faz outra vida. outra morte. outra mulher.









domingo, 9 de novembro de 2008


"(...) e, de repente, apetece morrer. Apetece o grande sossego, imóbil e definitivo. Realmente dormir acabado. O silêncio. A solidão sem sobressaltos paisagens caras novas. A paz connosco. E sem espelho. Não ver ninguém, já mais ninguém. Esta esperança mais que certa seja acompanhada de cantos e alegria. Sem olhar para trás, para quem fica andando, ainda ache graça. Os imprevisíveis lamentáveis acidentes da nossa viagem, mesmo os veniais, aqueles de que nos não demos conta na altura mas ficaram vibrando ocultos em nós como alarmes parasitas, clandestinos mas insistentes, uma térmita na aparência insignificante inofensiva embora voraz e teimosa, continuaram ressoando corroendo desfazendo lentamente uma qualquer fibra que nunca saberemos onde estava e era importante. Não se previa já? ou seria então o alvo determinado, a rota desde sempre planeada que muito nos espanta permanecesse assim mascarada doutros caminhos possíveis."

Luiz Pacheco in Textos de Guerrilha 2, Ler Editora, 1981
















Desgorvernadas de parte incerta.


Somos em cada suspiro do instante. acenados por intimidades



"Há gente que fica na história. da história da gente"




Chuva.wma - Mariza

quarta-feira, 5 de novembro de 2008




Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen





As súplicas ouvidas tornam-se carne de um redentor promovido a messias. Desculpabiliza-se a minoria que se assumiu em maioria no planalto da cobardia. se juntam.
Não quero ver mais Cristos crucificados a alimentar a terra de sangue. quero ouvir o grito da terra. em Gospel.

Ser Outro dia raro.inteiro e limpo.






segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Inferno

lugar onde se descansa por fim a tristeza e
se cansa o corpo dançante pelo puro prazer de o fazer.
um espaço de libertação e tranquilidade incontida
que predispõe ao arrebatamento
aqui o pecado não é punido
a maldade não é punida
a fraqueza também não
caminho interior e iniciatico, polvilhado
de tristezas, ironias e reconciliações
os anjos transformam-se em bobos
que dançam e falam sobre alguns de nós.

Olga Roriz
















Vende-se tudo
em pecados capitais
de vermelho púrpura vestido
como cardeais











tempero de lodo e sal
dos sentidos de surdez
onde a mudez é táctil










....................………………………............................. tropia total do movimento















Vende-se pessoa
oferece-se em segunda tentativa
dá-se das faces mil
e o anjo afogante












...................……………………………………………........................................... vem-se
















Fumante debaixo da telha
passados vícios de chuva
do sexo assexuado
debaixo do nenúfar preto












...........................………………. anjo diabo de histriónica personalidade


E no recanto do inferno
há o paraíso
no alinhamento dos cisnes




"Todos nascemos nús

..................................................... condições dos vermes

.................................................................................dos punhais e da luz (...)"

José Gomes Ferreira




Senhas - Adriana Calcanhoto




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