
Que palavras traçam as lágrimas passantes nos golpes das garras?
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Nada restou. senão a profilaxia social. e um perfume.
espreita esse perigo e esse impulso. de seguir esse sândalo. para saber o que é.
é o mesmo que querer conhecer quem escreve. é fugir das brigadas puritanas
é fazer prisão do desejo para fazer esperar a loba no lupanar.
tudo no cúmulo do não sentir
do não querer
do velar


Quanto à solidão de há pouco não há pleonasmo nem desdobramento que a salve. Solitário, não vamos mais longe, é este escritor que aqui está quando se entrega ao acto de escrever.
[Mas hoje…]
Cardoso Pires por Cardoso Pires, entrev. de Artur Portela, 1ª edição,
Publicações D. Quixote, 1991, 124 p., pp. 89-94
Repousante estado. Repousante abraço.
no imenso mar. no imenso ser
entrega adentro
olhares pousantes
nas não palavras
que se fazem agradecer
no nada de mim
do muito. do sempre
tão irónica como bela
a estória que en.laço
E resto-me entre muros e muralhas. na dança com a morte. num passo de exorcismo. na travessia da ponte. ao som de campanários



....................................... broto. fruto
se faz outra vida. outra morte. outra mulher.
Desgorvernadas de parte incerta.
Somos em cada suspiro do instante. acenados por intimidades
"Há gente que fica na história. da história da gente"

Vende-se tudo
em pecados capitais
de vermelho púrpura vestido
como cardeais
tempero de lodo e sal
dos sentidos de surdez
onde a mudez é táctil

Fumante debaixo da telha
passados vícios de chuva
do sexo assexuado
debaixo do nenúfar preto
...........................………………. anjo diabo de histriónica personalidade
E no recanto do inferno
há o paraíso
no alinhamento dos cisnes
"Todos nascemos nús
..................................................... condições dos vermesJosé Gomes Ferreira