FOR US THERES IS ONLY ONE SEASON. THE SEASON OF SORROW



Oscar Wilde


terça-feira, 27 de janeiro de 2009


Um anjo vem todas as noites:
senta-se ao pé de mim, e passa
sobre o meu coração a asa mansa,
como se fosse o meu melhor amigo.
Esse fantasma que chega e me abraça
(asas cobrindo a ferida do flanco)
é todo o amor que resta
entre ti e mim, e está comigo.


Lya Luft







A fina ironia com que teces a comédia dos dias deu lugar ao mais puro cinismo. insistes no texto. na palavra sem qualquer sincronia. de uma falsa morfogénese. como se o poder que conferes ao verbo. redimisse toda a fragilidade das intenções.

assisto-te a compor retalhos de alheadas metáforas. personificadas. para os que se ceifam por migalhas. a selar o feudal compromisso .

em sonhos inimagináveis inventei uma face onde não reconheço os teus olhos. inexorável desfecho para tamanha promessa.
parto a sangrar em voo de asas mansas. levando comigo o que resta da tua pele. a rasgar-me o flanco.


o silêncio é o meu trono e a minha grandeza.







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Obrigada a todas/os que por aqui passaram...

Obrigada; Grazie; Gracias; Merci; Danke; ありがとう; תודה; Dzięki; спасибо; Díky; благодарности; شكرا; 谢谢; Hvala; 감사합니다; Salamat; Kiitos; धन्यवाद: Terima kasih; Mulţumesc;Thanks; ευχαριστώ;














quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


E toda aquela infância

Que não tive me vem,

Numa onda de alegria

Que não foi de ninguém



Fernando Pessoa






no murmuro de um protesto tímido à sombra do mundo errado. saltam as cicatrizes que nunca curam. a voz e as palavras mansas tornam-se duras que golpeiam. precipito-me em mergulho nesse mar. oceano. do que passou. o terceiro amor. o segundo amor. o primeiro amor. a infância. de.crescente estado. restou a vida.
e proponho-me de novo a esta dinâmica. cada vez mais numa perspectiva hologramática em que só faço sentido na presença...



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E questionas o que eu guardo. nessa caixa negra.
que faz da infância adultez
o especial que esbarra com o não padrão. anormal
Ai... essa margem é a minha infância
onde há uma mulher à espera. em cais.













domingo, 18 de janeiro de 2009



tudo grita e chora à nossa volta. somos todos náufragos. numa jangada à espera do naufrágio. luz e silêncio. desespero e fuga interior. emoções na luta do dia-a-dia. a impaciência da espera. do outro dia. das resoluções. da luta para viver.
amanhã é dia 8 e a merda do passe. o infantário. o telefone. a água. a prestação do carro. a gasolina. a inspecção. os seguros.
e só me apetece fugir. deixar tudo para trás
não importa para onde. desde que deixe esta estúpida e banal. vida medíocre. que faz de mim um deplorável pateta. e compreender que as coisas passam. sucedem-se: onde estava o bosque é hoje o deserto. o pôr-do-sol. a rua. um passeio. um amante. não significam nada.
puta. barata. oferecida. vendida. meretriz delambida. rameira afectada. mas. sobretudo. puta.
o que é que estás a dizer?!
há vozes que ensurdecem
rebentem os astros em cem mil pedaços.
calem-lhe a boca com o seu próprio lodo. quero dar-lhe três tiros nos olhos. dois entre as pernas. cravejá-lo. cortar-lhe a língua. cinzelar-lhe o rosto.
adormeceram todos. os malditos. que mil diabos os levem devem ter saído e fechado o teatro. os tratantes.
tenho rins partidos. a cabeça a estalar. arrepios no corpo todo. e na alma. mais escuridão e frio.

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E as palavras já não falam de nós...



terça-feira, 13 de janeiro de 2009











Hoje cinzas de nada. compõe a terra de adubante.
onde absorve a cor luz. rachante. em contraste.
num processo daguerreótipo. nem copia. nem negativo.
e faço esquina com a mediocridade da pobreza humana.
prolongada em avenidas de rios. estendidos e erguidos.
de mãos em acção de graças. do nada recebido...





continua-se pianinho. piano. violinissimo.




de um desterro que se curva no peso do cadáver. de Abel
da carne dilacerada de Prometeu
e é a isto que se derreia a humanidade








cada vez menos há ditongos para serem acrescidos
cada vez mais estória. menos história
cada vez menos toque. mais espaço
mais pedra. menos terra.


que faço?





















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Obrigada

Emmy Della-Porther

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Outras primaveras já te surgem. florescem como corriolas que trepam pelos vértices dos triângulos. o tempo não cala nem é frívolo. escorre como manto que cobre o monte de Vénus.
e vejo-me como anfíbio destes tempos. dependente da água e do ar. terra. da rotina. dos andaimes volúveis que estruturam o meu estado psicótico.
mentira. nem de louco pertence tal estado. só da veleidade do desejo. dos vários sentidos que eu escrevo. e tu cuidas.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dizias-me entre o espelho do horizonte. da linha que não é céu nem água. da margem que se esbate em terceira margem e que adoça aos abraços que necessita. …as vezes para ser livre é preciso não ter afectos...

E entre uma ponte e outra. da transição. da mudança fortuita de não querer ficar presa. há uma rede de amparo. em que tudo se confunde. ar e água. água e ar.












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