FOR US THERES IS ONLY ONE SEASON. THE SEASON OF SORROW



Oscar Wilde


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Um nome pode ser uma condenação.
Alguns arrastam o nomeado, como as águas lamacentas de um
rio após as grandes chuvadas, e, por mais que este resista,
impóe-lhe um destino.
Outros, pelo contrário, são como máscaras: escondem, ilumem.
A maioria, evidentemente, não tem poder algum.
Recordo sem prazer, sem dor também, o meu nome humano.
Não lhe sinto a falta. Não era eu.



José Eduardo Agualusa
O Vendedor de Passados




Não somos esse rio de lama e de baba que fica depois da gangrena das palavras e da amputação dos gestos que se reduzem na não presença.

As golfadas de criança são a escola das lambidelas do corpo e rosto da volúpia carne. E não há nome que não se regista no livro do Pentateuco. da nova lei que se tece debaixo das dores do crescimento.

Quero que este seja o ensaio da minha negação... como uma suite de Bach. pensar.te é uma fuga

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eu, gosto das portas.
A porta entreaberta,
por exemplo: irá fechar-se? irá abrir-se? dar passagem?
Oh subtil porta que tão indiferentemente abres-fechas:
nem sei se olho para dentro ou de dentro.


Ana Hatherly







A surpresa do inevitável feito pela porta, indica o azimute. as sombras das silhuetas, as vozes dos ecos compõem a morfogénese da história

Passou um ano, dois e a vida não é um abre e fecha, como uma linguagem decimal, que não roda. estagna

Já não há encontro no espaço das dobradiças, nem liquidez nas palavras. o cacimbo tornou-se a nossa saliva e o branco o vazio entre os sarrafos.

O meu castigo é viver ou abrir no fecho.

Única realidade que guardo. resguardo esta vida - em tempo do ocaso...




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