
tudo grita e chora à nossa volta. somos todos náufragos. numa jangada à espera do naufrágio. luz e silêncio. desespero e fuga interior. emoções na luta do dia-a-dia. a impaciência da espera. do outro dia. das resoluções. da luta para viver.
amanhã é dia 8 e a merda do passe. o infantário. o telefone. a água. a prestação do carro. a gasolina. a inspecção. os seguros.
e só me apetece fugir. deixar tudo para trás
não importa para onde. desde que deixe esta estúpida e banal. vida medíocre. que faz de mim um deplorável pateta. e compreender que as coisas passam. sucedem-se: onde estava o bosque é hoje o deserto. o pôr-do-sol. a rua. um passeio. um amante. não significam nada.
puta. barata. oferecida. vendida. meretriz delambida. rameira afectada. mas. sobretudo. puta.
o que é que estás a dizer?!
há vozes que ensurdecem
rebentem os astros em cem mil pedaços.
calem-lhe a boca com o seu próprio lodo. quero dar-lhe três tiros nos olhos. dois entre as pernas. cravejá-lo. cortar-lhe a língua. cinzelar-lhe o rosto.
adormeceram todos. os malditos. que mil diabos os levem devem ter saído e fechado o teatro. os tratantes.
tenho rins partidos. a cabeça a estalar. arrepios no corpo todo. e na alma. mais escuridão e frio.
e só me apetece fugir. deixar tudo para trás
não importa para onde. desde que deixe esta estúpida e banal. vida medíocre. que faz de mim um deplorável pateta. e compreender que as coisas passam. sucedem-se: onde estava o bosque é hoje o deserto. o pôr-do-sol. a rua. um passeio. um amante. não significam nada.
puta. barata. oferecida. vendida. meretriz delambida. rameira afectada. mas. sobretudo. puta.
o que é que estás a dizer?!
há vozes que ensurdecem
rebentem os astros em cem mil pedaços.
calem-lhe a boca com o seu próprio lodo. quero dar-lhe três tiros nos olhos. dois entre as pernas. cravejá-lo. cortar-lhe a língua. cinzelar-lhe o rosto.
adormeceram todos. os malditos. que mil diabos os levem devem ter saído e fechado o teatro. os tratantes.
tenho rins partidos. a cabeça a estalar. arrepios no corpo todo. e na alma. mais escuridão e frio.
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E as palavras já não falam de nós...

12 comentários:
falam
com um assombro!
de parecença tremenda. como espelho de mim.
beijo
não .as palavras já não falam de nós
mas
os silêncios .SIM
releio.TE com corpo e alma ,apesar do frio
.
um beijo
Falam, sim! Tal como os silêncios. Ou a chuva... e o cheiro a terra molhada...
Beijo
...
Falam sempre mesmo que em silêncio.
...mais que a canseira do quotidiano a fazer contas à vida
o que me cansa mais
é ver, ouvir os farsantes que nos engolem em sorrisos e mentiras. os farsantes. Pensaram eles. São todos uns pacóvios...é isso que me desgaste fazem nascer em nós o que de pior temos. A revolta, a raiva e a vontade de lhes dar 3 tiros.
mas_____o mundo é muito mais. Não desviemos a atenção. Não deixemos amargurar o coração.
Um beijo
enorme
terno
Tanta amargura não combina contigo... Nem te indica o caminho de volta aos bosques verdejantes, nem aos amantes, nem ao pôr-do-sol, nem aos passeios, nem (e muito menos) te indica a porta de saída, que já devias ter batido há muito tempo. De resto, se preferes ver deserto quando à tua volta vejo campos de girasol, provavelmente há entre os nossos pontos de vista um ligeiro desvio. Por defeito, aprendi que o enquadramento depende de um milimétrico posicionamento do olhar, e a paisagem pode mudar radicalmente. A paisagem é sempre a mesma, mas quem a "enquadra" somos nós. Olha para o lado e perceberás: o que vires, vale por mil palavras. E sim, tens razão: as palavras já se esgotaram. Resta-te falar por outras vias. Ou silenciar a indignação, ou a ira. Só tu o podes fazer, mais ninguém.
PS: a propósito: Zé Mário Branco também não combina contigo. Que coisa mais "povo unido".
Pachorra!...
Para ti, quando voltares a passear pelos campos floridos da alma, escolhi Vanessa da Mata! (LOL!)
:-)))))))))
Amo-te,
MM
PS2: vê lá se contens as tuas fãs... Andam comichosas pelo meu blog a deixar recadinhos tão óbvios (apesar de anónimos) que até faz dó.
Dilacerante!
Fora de contexto, talvez, julgo que vale sempre a pena escreveres as tuas palavras... :)
Olá Ana Paula
Agradeço-lhe a sua visita ao artista maldito.
As palavras transformam-se em armas do nosso querer silenciar a dor e "já não falam de nós", ou falam do outro "eu", no labirinto das cidades...
Um beijo
Isabel
Hoje dou voz ao meu silêncio
Outras, tantas, passo sem que ninguém oiça, sem que ninguém veja, sem rasto…
Bjs
Olá
Realmente só comigo podia acontecer esta confusão. Enganei-me no blog, mas neste mundo de virtualidades os imprevistos podem ser felizes coincidências.
Obrigada por me ter enviado o email e pela visita. Já fica a conhecer-me, sou uma despassarada.
Outro beijo
Isabel
As tuas palavras ainda falam. Por nós. Por, infelizmente, cada vez mais de nós.
Obrigada.
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