FOR US THERES IS ONLY ONE SEASON. THE SEASON OF SORROW



Oscar Wilde


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes





Dialogo do tempo que se faz passado e nos apanha. Parar e pensar que as vísceras podem estar no mesmo plano que o cérebro. e o coração se assevera como membro de locomoção. é ver na poesia perturbante, o conforto. como mortalha que se faz corpo necessário à angustia.

O tempo é esse compasso de aflição, disparatado entre vírgulas e sintagmas. pontos que se interligam e fazem história e orações. clemência.



15 comentários:

Mié disse...

belíssima fotografia e poema de Vinícius

pois, o tempo, esse grande escultor,
já dizia a M.Yourcenar.


deixo-te um beijo

porta do mar

simplesmenteeu disse...

O tempo é esse lençol desfeito e branco,
esse perder de mãos
entre sonhos e perfume de flores.

Beijo grande e carinhoso

No Name disse...

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
-:**

No Name disse...

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Anónimo disse...

O tempo o grande Mestre e, também contraditoriamente o grande ilusionista, porque, tudo nos dá e tudo nos tira...

Abraço

Et

Anónimo disse...

"Eu acredito que a poesia tenha sido uma vocação, embora não tenha sido uma vocação desenvolvida conscientemente ou intencionalmente. Minha motivação foi esta: tentar resolver, através de versos, problemas existenciais internos. São problemas de angústia, incompreensão e inadaptação ao mundo."
( Carlos Drummond de Andrade )

No Name disse...

Poesia


Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade
:-**

No Name disse...

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Luís de Camões
:-**

Anónimo disse...

Vinicius de Moraes


"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."


:-**

No Name disse...

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector
:-**

No Name disse...

Mas há a vida


Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida, há o amor.

Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

Clarice Lispector
:-**

No Name disse...

Al Berto

E ao anoitecer
e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

:-**

No Name disse...

Quero voltar! Não sei por onde vim…
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

Florbela Espanca

:-**

No name disse...

(...)
A descoberta é invenção provisória:
as vozes não se vêem
o que se vê não se ouve


Ana Hatherly

:-**

No Name disse...

(...)
O biombo ritual da invenção
oculta o espaço intermédio
o interstício
onde a percepção se refracta


Ana Hatherly

:-**



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