
A serenidade apazigua a turbulência nesta distância em que o horizonte é mais definido. na certeza que nada tem que se assente. na ilha penso porque se quer tanto. quando o olhar não encontra amparo. nem qualquer alvo que se estreite.
e chega a fria claridade depois do turbilhão do coito. onde já não há espaço para a regressão virtual. quero-me solta sem apegos deste tipo. que me iludem e desviam da lucidez de que a felicidade é obra.
no medo que atormenta a lua, vejo o mar que amadurece no fim do rio. que permite o dialecto da ternura. em onda sem submissão e sem revolta. e pensar se a vida se resume a este movimento convulsivo.
no mais infinito pequeno. no menos infinito grande. nem todos os dias são dias passados. e sempre haverá nos restos um porto de abrigo. que tu voltas sempre.
“A vida tem o seu quê de criminoso(…)”
(Sandor Marai)


16 comentários:
Lúcido e belo, este post. Gostei muito de ler. **
Intenso. E outros adjectivos que não escrevo.
Perturbante... ?
Obrigada
Um beijo
je dis pour la connaissance pas de
souffrance,
je veux seulement
m´en aller
( avec mes ailles avec
mes pieds,
o MUITO BELO espraia.se
aqui
ao qual resisto
sem vontade de partir
.
um beijo
Lindo!
;)
Agora vejo-te de volta, outra vez tu. E porque te reconheço, descanso nesse dialecto da ternura, que tão bem interpretas em mim, e que aprendi a decifrar em ti. É nesse dialecto que nos reescrevo e traduzo a palavra Amor.
Beijos, muitos...
Luz
Oi
Além das palavras adorei a canção.
D.
estou retornando.
muito intenso, com muitas passagens dignas de reler.
muitos parabéns...
em pleno apaziguamento (falsamente submisso)
a mememória faz a ponte para os apegos.
que um dia serão maduros num mar navegável.
e depois... "nem todos os dias são dias passados"
como tens razão!
um abraço.
Que simbiose percorre todo este belíssimo post!
É muito belo o teu caminho...
Pensar numa ilha que somos uma ilha onde tudo o que se isola um instante é, afinal, mais intenso...
Um beijinho (nesta vida "criminosa")
:)
gosto muito desta música e da simone weill, do Sandor marai e desta dermência, faz-me lembrar coisas boas.thanks
Agri!!!
"nós" procuramos que a "vida tenha o seu quê de criminoso..."
buscamos o impossível, em vez de fugirmos dele!!!
busca o teu caminho...
mas o "certo", Tu sabe-lo...
bj agri
PS: "sei de um rio", é perfeito, magnífico, mas...
já ouvi pelo menos 102 vezes ;)
Belo poema.
E a vida não se resume...
Bjs
Estranho também aqui!...e BELO.íssimo
___vejo um mar que amadurece no fim do rio_____
Sei de um rio, sei de um rio...
_______não vi medusas desta vez ...nem esses picos horríveis na areia :)
Um beijo
terno
sem crime :)
comme
le retour de l'enfant prodigue
prostro-me
perdoa as ausências de palavras
volto sempre também.
beijo.
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