FOR US THERES IS ONLY ONE SEASON. THE SEASON OF SORROW



Oscar Wilde


quarta-feira, 31 de dezembro de 2008












Aqui se lava todo o conspurcado. mas também aqui se perdoa. ficar é a palavra de ordem. da água que corre.

Corto transversalmente a incoerência. daquela que nunca me calço. e desenlaço-me das lágrimas que não me lavam.

Mas peço. que fique o que eu sinto. que se varre o que eu penso. para sentir aonde não pertenço. e não paro…




sexta-feira, 26 de dezembro de 2008


Elevai a música, soai o tamborim

a harpa melodiosa e a cítara

soai a trombeta pelo novo mês

na lua cheia, no dia da nossa festa

(Salmo 81)


Na a.Semetria dos espelhos vejo o que projecto.
protejo o que sou. da recusa dos escotomas dos dias.
Mais transparente penso e quero ver.
Dos dias que colho penas. Das penas que me faz voar.
Mas quem disse que são as penas que voam os pássaros
Mas voo mais que um beijo liofilizado

de Acção de Graças










segunda-feira, 22 de dezembro de 2008






Nas nefastas ardósias frias escreve-se como prisioneiros ao futuro talhado.
Profiram-se nos bordos dos caminhos o sentido de uma narrativa de vida. única como si mesma. que não esconde a cara da miséria entre os artefactos.
E questiono-me quando será o primeiro Natal. dessa primavera de afectos






quinta-feira, 18 de dezembro de 2008




"Não posso pintar flores cor-de-rosa

quando lá fora existe pobreza..."


(Maria Keil)

FELIZ NATAL


domingo, 14 de dezembro de 2008




Ergo-me da constante chacina onde o verbo se emudece
as vozes não se vêem. o que se vê não se ouve

e onde se concentra o sentir não estou

o biombo faz de tabique entre as palavras. do vulto da nossa singularidade
pelas imagens entramos em diálogo com o indizível

esperamos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica

e as sílabas dos ditongos que se des.cruzam
procuro que o destinatário seja eu

não vale nada a nudez sobre camas
não é garantia de nada
nada vale ficar em corpos nús de espera













quarta-feira, 10 de dezembro de 2008




Não há arte sem a verdadeira experiência de solidão. é estar no centro do mundo sem ser o mundo. E percorrer vidas. dilacerar tantas. e nunca toca-las.

Esse ermo estado que me grita em arrastamento de mim. de uma díade em falta. de vinculação.
precoce rede. que se perde. se quebra. se arranca.
raios que partam a caída.

No fundo é esse estranho estado que se nutre de eco.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008


Esta noite morreremos
na espera que é lar da morte
velar-te em nome. sobre o nome onde cresce urtigas

a Lua é gota
o Mar abismo

pingo que tem um halo de concêntricas florações do teu sangue
irisada sombra do meu leito
precipício da marca dos teus passos. do sangue ressequido

na espera
do sempre do nunca
o coração do tempo pulsa
num maquinismo ínscio
na casa do tempo
a hora é adorno

E se a lua vier. de novo. virá como lança
que trespassa um pássaro para ler nas entranhas









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