Tenho medo de que um dia
queiras cessar esse rio
de águas ardentes
onde mais do que os corpos
tocam-se as almas
anjos desatinados luzindo no breu
Lya Luft
queiras cessar esse rio
de águas ardentes
onde mais do que os corpos
tocam-se as almas
anjos desatinados luzindo no breu
Lya Luft

O medo fez-se companheiro do silêncio e irmão do eco em moratória. corre nesse flúmen que não compõe cartas hidrográficas nem perfis de terra. É um híbrido terreno. paul. porque já não é a sizígia das tantas idas em vão. em tempo de lua cheia.
Cessou o sonho místico que emudecia a odre e conservava a alma. Hoje palmilho uma construção na primeira pessoa, na conjugação misantropa de nós.

7 comentários:
Tenho medo da dor de tua ausência
que me queima por dentro.
E da ternura eu tenho medo, dessa
beleza das noites secretas
quando chegas
sempre como se fosse a única vez
:-**
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa
:-**
Cá estou eu... novamente
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.
Alexandre O'Neill
:-**
Há
palavras que nos beijam
Há
palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas
que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente
coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor...
Alexandre O'Neill
:-**
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Florbela Espanca
:-**
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Mia Couto
:-**
Nocturnamente te construo
para que sejas palavra do meu corpo
Peito que em mim respira
olhar em que me despojo
na rouquidão da tua carne
me inicio
me anuncio
e me denuncio
Sabes agora para o que venho
e por isso me desconheces
Mia Couto
:-**
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